Resenhas

O Último dia de brincar

Laura Sandroni

O ultimo dia de brincar foi a obra que, ao receber o Prêmio João-de-Barro, da Prefeitura de Belo Horizonte em 1986, revelou Stela Maris Rezende, autora que pela originalidade de seu estilo, tornou-se importante na literatura para crianças e jovens produzida no Brasil, para a qual continua a contribuir com assiduidade e reconhecida qualidade.

O livro constitui-se de pequenos contos que retratam o cotidiano infantil nas pequenas cidades do interior do país. “Feitiço” narra o encantamento de Dorinha pela terra, a ponto de guardar em seu armário uma caixa contendo um saco cheio dela. “Parceria” fala do desejo de ser escritora expresso em pequenos bilhetes que duas colegas de classe trocam com freqüência. “Uma idéia de amar” também refere-se, de forma metafórica, ao ato de escrever. As idéias de ver, querer, ter, conhecer, esquecer, escrever e ler estão interligadas e expressas na palavra escrita e contêm a idéia de amar.

O último dia de brincar tem tratamento mais realista ao descrever a brincadeira de comidinha entre quatro amigas. No meio da conversa surgem preconceitos, ouvidos dos adultos, que quase acabam com a amizade entre elas, mas logo são superados.

Nesse bordado de pequenas intrigas, Stela Maris Rezende compõe um vigoroso painel tecido por delicados fios. A natureza é onipresente, assim como em todos os detalhes está o interior de Minas Gerais, terra de nascimento da autora.

A linguagem, principal característica de seu estilo, é muito trabalhada e resgata o falar regional cheio de graça em sua simplicidade, o que poderá ser observado em salas de aula ao recuperar vocábulos em desuso e demonstrar a riqueza da expressão popular.

Os desenhos a nanquim de Vlad Eugen Poenaru, valorizados pelo papel cartonado no qual são impressos, dão um toque de modernidade à edição cuidada.

Site da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, Rio de Janeiro

Laura Sandroni é crítica de Literatura e ensaísta

 
 
 
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