Resenhas

A mocinha do Mercado Central

Vinicius Vieira

2011

Mesmo tendo lido muitíssimos livros, apenas três me despertaram tristeza, pesar, e ainda assim felicidade sem tamanho ao chegar à última página, que foram: O Morro dos Ventos Uivantes, O Livro do Amor de Julia e Tomás e A mocinha do Mercado Central. Fiquei comovido, intrigado, feliz, amante, livre e acima de tudo satisfeito e contente. Senti um privilégio de ler. Como se depois das últimas linhas eu fosse a tia Marta, como se eu, o leitor, tivesse o verdadeiro privilégio de contar aquela história a mim mesmo.

"Sob a pele das palavras há cifras e códigos". Na mesma hora eu sorri e me emocionei. Voltei à capa do livro e li: Stella Maris Rezende, e tive certeza. Ela, minha amiga, a quem eu admiro, mais uma vez "sob a pele das palavras" soube desvendar inúmeros códigos. Eu li esses códigos.

Maria Campos. Selma. Nídia. Miriam. Simone. Zoraida. Teresa. Eu fui todos esses nomes em cada entrelinha, em cada palavra, parágrafo e capítulo. Eu pude sentir o cheiro do café, o gosto do biscoito de queijo e lembrar do moço que estava sentado naquela praça, desenhando.

Eu senti a dor do menino cansado, eu vi a tristeza e a angústia na história da Bernardina Campos, e vi os olhos de piedade do Eugênio.

Eu senti, eu me emocionei, eu vivi, mais uma vez, uma história. E eu penso ao chegar ao fim do livro: como é bom sentir essa história, como é bom ver esses personagens tomarem conta dessa atmosfera onde eu leio, e me impulsionarem a sentir, sentir e sentir.

Não sei quantas almas tenho. Cada momento mudei. Continuamente me estranho. Nunca me vi, nem acabei. De tanto ser, só tenho alma.

Mais uma vez eu me impressionando, emocionado e estando vidrado, amarrado por conta própria e apaixonado a cada palavra escrita em A mocinha do Mercado Central.

São poucas as vezes em que podemos estar de frente a algo realmente emocionante. A escrita de Stella Maris Rezende me encantou, mais uma vez.

"É mágico imaginar como cada mistério será desvendado ou apenas lembrado para sempre". As palavras falam sozinhas, sem precisar esboçar nenhum sentimento, apenas esperando que quem está lendo sinta, e, esse sim, desperte o sentimento em si.

Stella Maris Rezende mais uma vez me emocionou, e me proporcionou uma das leituras mais intensas da minha vida.

In: email de junho de 2011
Vinicius Vieira é estudante e faz parte do fã-clube da escritora

 
 
 
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