Resenhas

A mocinha do Mercado Central

Daniel Ribeiro

2011

Neste novo livro, Stella Maris Rezende mostrou que fantasia e realidade podem se misturar, e sim, pode dar certo. A mocinha do Mercado Central é a prova disso. Recheado de mistério, diversão, drama e realidade, o livro faz a gente entrar na vida de Maria Campos, ou Zoraida, Teresa, ou quem sabe, Simone, ou talvez Miriam. Pode ser também Nídia, Gilda e Selma. É um verdadeiro enigma. A gente sai de Dores do Indaiá e viaja para Brasília, "nome que parecia o feminino de Brasil". De Brasília partimos para São Francisco, "não da Califórnia, lógico, mas do norte de Minas", depois seguimos para São Paulo, Belo Horizonte, e então chegamos à cidade maravilhosa, Rio de Janeiro. "A próxima viagem seria para Cataguases", mas Maria mudou de itinerário, quando se lembrou que o Otto nascera em São João Del Rey, a cidade dos sinos. Deu vontade de conhecer essa tal cidade dos sinos, o lugar onde nascera o escritor engraçado que dizia que "escrever é de amargar"... Do Rio para São João Del Rey foram poucas horas de ônibus", e então, depois de todas essas viagens, retornamos para Dores do Indaiá, cheios de histórias para contar, com boa parte de tudo aquilo que um dia foi dúvida, esclarecido, com a notícia na qual sua mãe não acreditaria e também não gostaria nem de saber, com sua vida completamente mudada.

As aventuras são contadas de tal forma que a gente começa a sentir, junto com a personagem, todas as suas angústias, medos, vontades, tudo, e então nos prende até as últimas páginas do livro. A única coisa que não senti foi arrependimento de ter lido o livro completo. Sofri, sorri, quase morri junto com a personagem, fui forte junto com ela e enfim descobrimos o que nas primeiras páginas eram enigmas. No fim, tudo se encaixa de maneira surpreendentemente surpreendente, deixando aquela vontade de ler mais, saber se vai haver alguma continuação ou então, a gente começa a fazer a nossa continuação, tornando-o um livro interessante, bom e saboroso de ler. Esse trabalho é diferente de tudo o que a Stella Maris Rezende já fez antes, totalmente diferente, com outras palavras, com outro olhar. Ela escreve para jovens e adolescentes, mas esse livro, na minha opinião, é total e altamente recomendado para todas as idades, e sem perder aquele toque mineiro que ela dá aos seus livros, "com cheiro de broinha de milho e café quentinho".

In: Culteen – O "Brog" da Arte de ser Adolescente
Daniel Ribeiro é estudante e faz parte do fã-clube da escritora

 
 
 
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