Resenhas

A menina Luzia

Jaqque Monteiro

2012

Doce Stella.
Mais uma obra de dar água na boca, heim?
Li A menina Luzia, ontem, de uma tacada só.
Impossível começar e não terminar, de tão gostoso que é.
O livro é uma receita deliciosamente doce e poética da boa e terrível complicação do amor.
Amor verde, amor de juventude, primeiro amor, meu primeiro amor. Doce amargo amor.
Amor de Luzia por Tarcísio, que não a enxerga como Luzia, mas como uma, duas, nenhuma, todas, qualquer uma, menos Luzia que faz ambrosia. Menos Luzia da blusa de Lese, menos Luzia que não sabe o segredo da Dona Lilina, menos Luzia que tem uma gamela cheinha de jabuticabas docinhas para Tarcísio, menos Luzia das mãos trêmulas na gamela, menos Luzia do coração monjolo socando milho e batendo por ele, ah, Tarcísio!
O fio da história vai sendo tecido, a medida em que o doce vai sendo aprontado.
“Doce, doce, caiu no laço.
Luzia faz ambrosia.
Doce de ovos no tacho de cobre.
Caiu no laço, doce, doce.”

E tive vontade de comer ambrosia.
E tive vontade de fazer ambrosia.
E logo eu, que não cozinho nada, nadinha.
Mas eu queria porque queria.
Fazer a ambrosia de Luzia.
Seguir a receita de Luzia.
Que tinha no livro de Luzia.
No livro de Luzia tinha receita de ambrosia.
Eu lia, eu via, e eu queria.
Comer o doce de Luzia.
Comer a ambrosia de Luzia.
E tem mesmo a receita do doce no decorrer do texto, eu fui marcando as passagens, fui juntando as partes da receita nas páginas: 9, 11, 19, 21, 24, 27, 29 e 32, pronto! Tenho a íntegra da receita! Pretendo, futuramente, fazer a ambrosia de Luzia.
Muito interessantes as descrições do estado do coração de Luzia. Os versos desenham com precisão a cadência das emoções vividas pela menina:

“Monjolo socando milho, mão de almofariz, o coração de Luzia.”

“O coração de Luzia é aquela massa para biscoito de polvilho, massa
espremida no pano, para fritar no óleo quente da panela de ferro.”


Outra característica, o poema vai crescendo no decorrer do texto, e lá pela quadragésima página, ele aparece fazendo a retrospectiva dos versos transcorridos até então.
O nome de Lilina é substituído por uma característica – “Lenço xadrezinho na cabeça:” Isso ficou engraçado. Gostei disso, demais da conta. Gostei também do jogo de hífens da palavra criado—mudo.
Para finalizar, não poderia deixar de falar da ilustração de Rosinha. Foi o arremate! Um doce! Casadinhos, livro-ilustração, bem-casados, um doce!
Um grande beijo e obrigado por compartilhar conosco, leitores, a sua criatividade, que sempre me surpreende.

Jaque, que gosta de doce, que gosta de ambrosia, que gosta da enredada vida de gostar de Luzia, de gostar de Stella.


Jaqque Monteiro, 2012

 
 
 
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