Resenhas

A mocinha do Mercado Central

Jaqque Monteiro

2012

Como esse livro mexeu comigo! Revirou vontades dentro de mim!
Eu já tinha o desejo de empreender uma aventura parecida. Instalar-me em cidades diversas por uns dias, interiorizando-nas.
O livro só aguçou ainda mais o meu ânimo.
Também me atrai a ideia de viver, vestir outras almas em mim.
As oficinas de teatro e as peças teatrais nas escolas por onde passei proporcionaram-me esse deleite: quantas infinidades de almas temos dentro de nós!
Surpreendeu-me, ao final da história, saber que a tia de Maria foi a narradora autora.
A cronologia da narração contribui para aumentar o mistério do enredo.
E a narração? Ah, a narração! Parece que estamos tufiados dentro da cabeça dos personagens, eu diria ainda, entranhados em suas almas espiando espionando bisbilhotando tudo, todos os seus guardados secretos íntimos desejos.
E o roteiro turístico oferecido? Dá é vontade de fazer as malas e sair correndo para Traitteurs de France e comer o financier.
Ou então viajar de trem de São João Del Rey até Tiradentes.
O final inacabado (não acredito que eu disse final inacabado) da história nos dá a possibilidade de escolhermos qual fechamento gostaríamos que o livro tivesse.
A gente fica pensando:
- Será que ela vai contar? Ou não?
- Ela vai fazer o teste? Ou não?

Com isso, a gente permanece com o livro um mucadinho mais.
Paroxismos - elegi três:

O gostoso encontro de Selton com Nídia no delicioso e charmoso café.
O encontro com Eugênio, que a princípio até arrisquei um romance.
E o telefonema para Valentina. Que susto!!!

Terminei a obra com uma sensação gostosa no coração:

de que a mocinha do Mercado Central pode ser eu, você ou qualquer um, pois "o sonho e a imaginação são uma boa prática."

Arrasou mais uma vez! Um grande abraço,
Jaqque.


Jaqque Monteiro, 2012

 
 
 
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