Resenhas

A trilogia mineira de Stella Maris Rezende

Kelson Douglas

2013

Veio lá de Dores do Indaiá essa Stella Maris Rezende. Estudou, escreveu livros, ganhou prêmios e até programa de TV ela foi caçar de arrumar. Vê se pode um trem desses?!

Bem, mas não é só dela que quero falar aqui. O que eu quero mesmo é contar pra vocês sobre uma certa trilogia livrística que essa mineira andou lançado país afora, com a ajuda de uma tal Globo Livros. Editora grande. Tem até o mesmo nome daquele canal das novelas, sabe? Então.

Toma nota aí: A Mocinha do Mercado Central é o primeiro dos três, de 2011. Ganhou o tal do prêmio Jabuti, que dizem ser a mais importante premiação literária do Brasil. O segundo é A sobrinha do Poeta, de 2012. Bonitinho e com a capa verde. Anotou? O terceiro, desse ano, é As gêmeas da família. Uma gracinha que só.

No primeiro, Stella começa com a história de Maria Campos, uma menina do interior de Minas que depois de conhecer a sabichona Valentina Vitória Mendes Teixeira Couto, resolve por o pé no mundo, arruma uma paixonite pel’aquele ator, o Selton Mello e ainda por cima, cisma de usar novos nomes em cada cidade onde passar. É simples assim, mas cheio de sentimentos este livro que, apesar de ser rotulado como infanto-junvenil, é bem do amargo e adulto, viu?

Pois então, em uma de suas andanças, Maria Campos comenta sobre um estranho causo de um livro fantasma da sexta estante da biblioteca de Dores, terra da autora e cenário de A sobrinha do Poeta. Espia só: Dizem alguém anda inserindo textos no final de um dos livros do poeta Emílio Moura que fica nessa estante aí. Com uma história muito da mal explicada, a pequena cidade não consegue falar de outra coisa, além, é claro, da coitada da bibliotecária de lá, uma simpática professorinha que de tão culta não consegue agradar as más línguas do interior.


"- Dorinha, apareceu mais uma frase, desta vez num livro da Clarice.
- Clarice…?
- Lispector.
- Lis…
- Lispector. Clarice Lispector.
- Clarice Lispector. A gente tem que ser exibida pra falar Clarice Lispector."


E por fim, também de Dores, mas de dentro da casa com vista para a Serra da Saudade, vem a última parte, que fala de uma grande aventura envolvendo três irmãs, gêmeas, fãs da italiana Rita Pavone, que vivem para pagar uma promessa que a mãe delas, a dona Ana Clara, fez para a Santa Rita de Cássia em troca de tirar da família uma maldição que assola todas as crianças nascidas no mesmo dia.

Com textos rápidos, doces e repletos de mineirês, os três livros da autora são do tipo que você irá querer devorar o quanto antes, como um pão-de-queijo quentinho junto com um copinho de café. Agridoce, as histórias tem em comum a mistura da inocência, às vezes da idade, às vezes do interior, com o peso da realidade violenta, que de vez em quando pode vir através da morte de um ente querido, ou de histórias envolvendo agressões que mostram o pior lado do ser humano.

Felizmente a escritora não opta por chocar o leitor. Pelo contrário. Nas três obras a delicadeza é o que prevalece, fazendo com que, independente do final, o leitor possa terminar o livro com um aconchegante sorriso no rosto.

Ou seja, são dedinhos de prosa que vão fazer muito bem para os seus olhos, para o espirito e para a sua estante.



Altamente Ácido | Postagem: A trilogia mineira de Stella Maris Rezende | 2 de julho de 2013

Disponível no Altamente Ácido

 
 
 
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