Resenhas

"As gêmeas da família" (Stella Maris Rezende)

Luís de Lima

2014

O livro "As gêmeas da família" é uma parábola maravilhosa sobre a aventura e as circunstâncias da vida, onde os sentimentos e suas necessidades instintivas estão sempre às voltas com a razão. O roteiro é interferido pela cultura, pelos relacionamentos e pelas idiossincrasias de cada um. Todo escritor ambiciona emocionar o leitor. Essa obra vai mais além. Mostra-nos que escrever é tecer e vestir o tempo com trabalho e arte, que as virtudes precisam de coragem e de emoção. Como não sofrer?... Cessando o querer?... Impossível! A resposta está na busca do sonho, como se fosse algo exequível. Isso atrai a sorte e quebra o silêncio intemerato. A escritora costurou a história - e aproveito sua própria metáfora - com mãos de fada, tornou a narrativa cheia de mistérios e magias, paralelamente a um discurso cheio de realismo e sabedoria. Com vocabulário rico, explorou, além do velho, o neologismo. Teceu a trama como um lindo e grande trabalho de crochê, com alguns pontos e desenhos repetidos, para dar forma a um todo belo e bem cosido.

Ao ler essa obra, o espectro de Machado de Assis, certamente, sorriria, com sua alma perambulando pela história, entre a Glória e o Catete, e diria: "Não está na hora de trazer essa vizinha, que mora em Botafogo, para a Academia?" Já o conterrâneo da escritora, o mineiro Carlos Drummond de Andrade, do seu banco em Copacabana, emendaria: "Essa moça precisa ser por todos reconhecida. Levem-na ao Programa do Faustão e ao Fantástico em seguida."

E eu digo nas despedidas: "Minha querida amiga, arrume lugar na estante, para que mais tartarugas sejam exibidas."



Luís de Lima, escritor, autor de Adler, o paraquedista (Age, 2012)

 
 
 
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