Resenhas

A menina Luzia, de Stella Maris Rezende

Nívia de Andrade Lima

2016

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
(Verso do poema A Flor e a Náusea de Carlos Drummond de Andrade)


Em entrevista concedida logo após haver recebido o prêmio Jabuti 2012, pelo seu livro A mocinha do mercado central, Stella Maris Rezende define o seu trabalho declamando esse verso do grande poeta mineiro. Para a autora, o silêncio em seus textos é muito importante e, junto às palavras, ela deixa lacunas, vazios, espaços a serem preenchidos pelo leitor. A sua memória de Dores do Indaiá, cidade mineira onde nasceu, ela resgata por meio da utilização de um universo imagético típico da região: “Guardar uma coisa no samburá é muito diferente de segurar a alegria no coração. Isso Luzia assuntou naquela tarde com muita chuva, o corpo repassado em doença de caroço de pele, tia Belozina fazendo chá de sabugueiro para a Luzia tomar tudinho, gute, gute, gute, tia Belozina franzia a testa, atazanada.” (RESENDE: 2012, p. 10), e o mistério interior de suas personagens agrega contemporaneidade à sua obra, através de uma literatura que exige maturidade de espírito e capacidade de reflexão do leitor.


Leia online!



In: Sede de Ler, seção Resenha, março de 2016, página 32.


Nívia de Andrade Lima

 
 
 
Email
facebook
Imprimir