Resenhas

A sagacidade na literatura de Stella Maris Rezende: uma questão de estilo e arte

Vânia Maria Resende

2016

Volto-me neste artigo a particularidades estéticas que estão no cerne da singularidade da literatura de Stella Maris Rezende, definindo o seu estilo com o qualificativo “stellar”, com apoio em dois posicionamentos teóricos. Um, de Roland Barthes, que reconhece na literatura “o próprio fulgor do real”, já que ela “assume muitos saberes”, e lhes dá “um lugar indireto, e esse indireto é precioso”, são “saberes possíveis – insuspeitos, irrealizados.” (BARTHES, 1980, p. 18). Outro, de Luigi Pareyson, que concebe a carga de humanidade do criador consubstanciada em modo de formar artístico, não estabelecendo limitada noção biográfica ou associação direta da vida do artista com a sua obra. Segundo o esteta, nos sistemas formativos da arte consubstancia-se o diferencial da identidade de quem os urde criativamente, ou seja, “no operar artístico a pessoa do autor tornou-se, ela mesma, o seu próprio e insubstituível modo de formar.” (PAREYSON, 1997, p. 107). No estilo stellar o fulgor do real emana da sagacidade, que realiza muito bem os requisitos da especificidade da literatura, e se concentra na atuação arguta de personagens; em tramas matreiras e modos ardilosos de estruturação narrativa; no adensamento, com fluidez, em inquietações, contradições e perplexidades inerentes à natureza humana; na finura da linguagem velada. As heranças culturais da autora, trazidas da ambiência provinciana da infância e da adolescência, mais traços do caráter mineiro, reservado e desconfiado, infiltram-se na distinção do estilo, convertidos em visão e forma de expressão artística.


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In: Sede de Ler, seção Artigos, março de 2016, página 8.


Vânia Maria Resende

 
 
 
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